Um magnata Árabe casou, finalmente, a sua filha mais nova com um ricaço Francês.
Um dia, a filha vai toda chorosa queixar-se ao pai que o marido lhe tinha batido.
– Aquele grandessíssimo filho de uma camela ousou levantar a mão sobre a minha filha?! – Exclamou o Árabe, encolerizado e cheio de indignação.
– Sim, meu pai.
– Filha, fizeste bem em vir falar comigo. É a injúria maior que ele me podia fazer, e isso pede uma retaliação à altura. Melhor ainda, pede vingança.
E… zás! Dá à filha uma enorme bofetada, exclamando:
– Que a minha filha volte para esse miserável e lhe diga que tipo de homem eu sou. Ele bateu na minha filha, portanto, nada mais justo que eu bater na sua mulher. A honra da nossa nobre família, está novamente reposta.
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sábado, 22 de setembro de 2007
Piadas - Pai... ele bateu-me!
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
Contos - Shop Soy
O mês passado abriu na minha rua um restaurante chinês. Embora sempre me tivesse interessado pela cultura oriental, a culinária chinesa nunca me despertou especial curiosidade.
Há duas semanas, encontrei à porta do meu prédio um cãozito pequeno e faminto que adoptei e que, carinhosamente lhe coloquei o nome de “Shop soy”. O pequeno rafeiro rapidamente se recompôs e, passados dois dias, já me seguia para todo o lado saltitando alegremente. Tornou-se a minha companhia imprescindível.
Hoje, quando cheguei a casa, o “Shop Soy” não me veio receber com os costumados pulos e lambidelas. Procurei por todo o lado sem o encontrar quando reparei na porta da varanda ligeiramente aberta. Eu moro no primeiro andar pelo que assumi que ele tivesse saltado e que, provavelmente, nunca mais o veria.
Saí para a rua e durante uma hora procurei pelo cachorro sem resultado. Já eram oito da noite quando voltei e, sem ter preparado nada para o jantar, lembrei-me do restaurante chinês. Ganhei coragem e entrei. Surpreendeu-me a simpatia da empregada, com o seu sotaque que me obrigava a apurar o ouvido para a entender mas sempre com um sorriso estampado no rosto. Indicou-me uma mesa e estendeu-me a lista. Escusado será dizer que, momentos de pois tive de a chamar para lhe pedir ajuda na minha escolha.
Com a paciência natural do povo oriental, ela começou a mostrar-me os habituais pratos de porco, pato, gambas, vaca… e finalmente apontou para o papel escrito á mão logo na primeira página. Ela explicou-me que era um prato especial que usualmente não serviam mas que era muito bom e eu deveria experimentar.
Olhei para o nome: Shop Soy de cão.
Bem… posso-vos dizer que, depois de dar um salto quase tombando a mesa, e correr em direcção à porta de saída com as duas mãos a tapar a boca tentando aguentar os restos do almoço que teimavam em saltar cá para fora, decidi naquele instante nunca mais entrar num restaurante chinês.
sábado, 21 de julho de 2007
PADRE NOSSO - Levantando o Véu..!
Como prometido em 'Posts' anteriores, vou desvendar um pouco do que podem encontrar no livro "Padre Nosso". Abaixo podem ler o PRÓLOGO e um excerto do Capítulo XIV.
As paredes do Palácio do Vaticano ressoaram com a voz irritada do Papa Bento XVI. Normalmente calmo, a prudência nunca fora um dos seus principais atributos e, naquele dia, tinha passado completamente dos limites enquanto gritava furiosamente em alemão dentro da sua sala particular:
«E não quero saber o que Wojtyla pensava. Karol Wojtyla foi o passado, agora somos nós que temos de tomar as nossas próprias decisões. Eu quero os culpados apanhados e condenados. Quero todos os nomes, desde o mais baixo até ao cabecilha e quero isso resolvido quanto antes.»
Outra voz num tom calmo e muito mais baixo respondia-lhe em italiano:
«Mas… Sua Santidade, não será melhor reflectir antes de tomar essa decisão? O papa João Paulo II e os outros antes dele tinham os seus motivos para tentarem resolver as coisas de outra maneira. Não quer tentar saber mais antes de avançar?»
«O Wojtyla não teve treino militar, era polaco e era adorado por ser fraco. A Igreja não pode demonstrar fraqueza perante ninguém. Não somos um estado independente por baixar a cabeça, embora seja essa a imagem que passa para fora. Não podemos compactuar com o demónio. Eu sei perfeitamente que devemos ser prudentes ao mexer em alguns assuntos mas, mais importante é descobrir e desmascarar os culpados, pois um acto destes não pode ficar impune.»
Três vozes responderam em uníssono:
«Abençoado o herdeiro de S. Pedro.»
Momentos depois, a habitual tranquilidade voltava a instalar-se no ambiente protegido pelas grossas paredes do edifício.
CAPÍTULO XIV
(...)A porta gradeada de aço maciço fechou-se atrás de Durval assim que ele entrou. O guarda trancou cuidadosamente a caixa cinzenta na parede que protegia o sistema de abertura individual de cada cela fazendo ecoar o já característico Clank das fechaduras reforçadas.
O padre encontrava-se deitado numa estreita cama de ferro com pouco mais de meio metro de altura onde se via obrigado a flectir as pernas para que estas se conseguissem acomodar por cima do quase invisível colchão pouco mais espesso que um comando de televisão. Um ponto de luz no tecto e uma janela ainda mais pequena que a existente no escritório do primeiro-cabo, completavam a débil decoração.
– Boa noite Sr. Padre! – Exclamou Durval em voz alta ao ver que o padre não reagia à sua presença.
O padre António levantou os olhos pachorrentamente e mirou a figura que se encontrava à sua frente durante alguns segundos, voltando depois à posição inicial. Ficou assim mais alguns segundos até que se levantou de um salto fazendo Durval recuar perante o acto inesperado do sacerdote. Este estendeu a mão e indicou-lhe o sítio onde estivera deitado num convite.
– As instalações são modestas mas, sentados cabemos os dois. – Disse em tom de laracha. – Então o que o trás aqui? Não me vai dizer que se deu ao trabalho de vir falar comigo à prisão só para tratar dos pormenores da visita à igreja com os seus colegas de tropa.
– Sabe bem que não é esse o motivo. – Começou Durval aceitando o convite do padre e sentando-se. – Aliás, perante a situação actual, já deve ter calculado que a minha insistência nessa visita foi para ver a sua reacção. Se não o adivinhou, estou a dizer-lhe agora.
O padre ajeitou-se na cama recostando-se ao canto da cela sem deixar escapar um som nem mudar a sua impávida expressão, limitando-se a esperar que Durval continuasse.
– O.K. Eu não vou estar aqui com rodeios e vou directo ao assunto. Você deu liberdade ao Jofre para fazer o que achasse melhor e, foi o que ele fez. Entendeu que eu o poderia ajudar e contou-me toda a conversa que vocês tiveram hoje de tarde.
A frase inicial teve o efeito pretendido e o padre baixou um pouco a guarda, dando-se ao trabalho de responder.
– Já calculava que isso iria acontecer, o que me leva a fazer novamente a mesma pergunta: E o que está aqui você a fazer? Que eu saiba, não é advogado para me defender. Veio tentar obter uma confissão em troca de uma pena mais curta? Veio cá a pedido do Jofre? Aquele coitado é uma jóia de pessoa mas, também ele não sabe mais do que aquilo que eu lhe contei e, de certeza nada do que eu lhe disse me pode ajudar. O que quer afinal? Eu não vou acrescentar mais nada ao que disse anteriormente no interrogatório feito pelo cabo Dias. Coitado desse também! Pensa que é o maior mas nem consegue ver o que acontece debaixo do seu nariz.
– Já terminou? – fez uma pausa para ter a certeza que o padre o iria ouvir. – Eu estou aqui porque penso que não foi você que matou a Dora. Acho que foi apanhado num enredo muito para além das suas capacidades de o resolver sozinho e acho que é um homem bom que eu não gostaria de ver apodrecer na imundice de uma prisão. – Fez mais uma pausa. – Perguntou-me o que vim fazer aqui? Vim tentar evitar que você se destrua e que, por causa de alguns indivíduos perca a fé na igreja. Vim procurá-lo porque está na hora de alguém por um fim a esta guerra de interesses e a todo o mal que dela provém. Vim falar consigo porque é o único que me pode ajudar a terminar com tudo isto. – Uma nova pausa, desta vez mais prolongada seguida de uma espreitadela para o relógio. – E tenho quinze minutos para o fazer.(...)
quarta-feira, 18 de julho de 2007
Lançamento do livro "Padre Nosso"
No próximo Sábado, dia 21 de Julho às 21.oo horas, estão todos convidados para o lançamento do romance policial com o titulo "Padre Nosso" de Vicente Cândido que terá lugar no Auditório do Edifício Cultural da Câmara Municipal de Peniche precedendo a famosa actriz Maria Vieira na apresentação do seu livro "As Minhas Viagens" no café do Clube Recreativo Penichence.
Podem consultar a sinopse do livro AQUI, mas posso adiantar que a maior parte da acção se passa no Concelho de Peniche, ora não fosse o autor residente nessa linda terra.
Pra finalizar e utilizando um velho "Cliché": Venha, e traga um Amigo!
Para quem ainda não sabe onde fica o Edifício Cultural, fica aqui também um mapa para facilitar a localização tanto a residentes no concelho como aos visitantes que, como sabemos, são muitos nesta época do ano.
segunda-feira, 16 de julho de 2007
Poemas IX - Uma Mosca
E para deixar por alguns instantes os assuntos mais sérios de lado, vamos fazer
justiça a um dos mais usuais hospedes das nossas casas, as Moscas.

Espantada aqui e além
vai a mosca impertinente.
Zune e voa pela casa,
atormenta toda a gente.
Mata-moscas se agitam
numa tentativa vã
de apanhar a mosquinha
que volta sempre amanhã.
Com o rabo reluzente
vem a mosca varejeira
pousa leve e delicada
num monte de caganeira.
Não repara enquanto come
que alguém horrorizada
olha para a porcaria
e, é outra vez espantada.
Coitada da pobre mosca
que não estorva ninguém,
qualquer bosta a contenta
mas nem na merda está bem.
Entra em casa novamente
procurando mais comida,
a medo, pousa na mesa
com a toalha estendida.
Aquelas simples migalhas
olha-as com sofreguidão
e encontra nesses restos
a almejada refeição.
Já depois de bem tratada
não repara, com certeza
numa mão forte e pesada
que a espalma na mesa.
Coitada da varejeira
que por comer em má hora
nunca mais se levantou,
morreu com as tripas de fora. 
© H. Vicente Cândido (15-01-2007 – Serra d’el Rei)
quinta-feira, 21 de junho de 2007
A Cinderela do Século XXI
Se quiserem contar a história da Cinderela ás crianças sem que sejam apelidados de COTAS, deixo-vos com a versão actualizada que podem ler abaixo. (Se conseguirem.)

Há bué da time havia uma garina cujo cota já tinha esticado o pernil e que vivia com a chunga da madrasta e as melgas das filhas dela.
Cinderela, Cindy para os amigos, parecia que vivia na prisa, sem tempo para sequer enviar uns mails.
Com este desatino só lhe apetecia dar de frosques, porque a madrasta fazia bué de cenas.
É então que a Cindy fica a saber de alta cena que ia acontecer: Uma party..!
A gaja curtiu totil a ideia, mas as outras chavalas cortaram-lhe as bases.
Ela ficou completamente passada, mas depois de andar à toa durante uma beca, apareceu-lhe uma fada baril que lhe abichou uma farda bacana e ela ficou a parecer uma ganda febra.
Só que ela só podia afiambrar da cena até ao bater das 12.
A tipa mordeu o esquema e foi pá borga sempre a abrir. Ao entrar na party topou um mano cheio da papel, que era bom comó milho e que também a galou.
Aí a Cindy passou-se dos carretos e esbundaram 'all night long', até que ao ouvir das 12 ela teve de se axandrar e bazou.
O mitra ficou completamente abardinado quando ela deu de fuga e foi atrás dela mas só encontrou pelo caminho o chanato da dama.
No dia seguinte, com uma alta fezada, meteu-se nos calcantes e foi a procura do chispe que entrasse no chanato.
Como era alto cromo, teve uma vaca descomunal e encontrou a maluca, para grande desatino das outras fatelas que tiveram ganda vaipe quando souberam que eles iam juntar os trapos.
No fim, a garina e o chavalo curtiram largo e foram bué da happy.
sexta-feira, 8 de junho de 2007
Lidar com Pessoas - Parte I
Vou iniciar hoje um novo tema te se intitula muito simplesmente "Lidar com Pessoas".
Ao longo da minha vida, sempre estive numa posição profissional que me obrigava a um contacto directo com o público, com gente de todos os géneros e classes sociais que eu não conhecia de lado nenhum. O constante contacto com maneiras de pensar muito diferentes da minha e a necessidade de não confrontar essas ideias directamente, foi aprimorando o meu modo de falar e, aos poucos até de pensar. Quase sem perceber como, podia falar com qualquer um, expondo a minha forma de pensar sem ferir susceptibilidades mas também sem ser falso, comigo e com os outros.Com isto em mente, resolvi publicar uma série de artigos, intercalados com outros temas neste Blog, para partilhar um pouco da minha experiência em “Lidar e Falar com Pessoas”. Espero conseguir transformar um tema maçador numa leitura agradável e, se receber um comentário que seja a dizer-me que um dos meus conselhos o ajudou, já me considero plenamente satisfeito.
Lidar com Pessoas – Parte I
(O desejo de um elogio)
Neste mundo existe apenas uma maneira de conseguir que alguém faça alguma coisa. Já pensou nisso? Esse meio é fazer com que essa pessoa aceite a nossa vontade.
Poderá obrigar um homem a dar-lhe a carteira, apontando-lhe uma arma; obter a colaboração de um empregado (até virar as costas) com a ameaça de o despedir; levar uma criança a obedecer-lhe por meio de pancada ou ameaças. Mas todos esses processos têm repercussões indesejáveis.
A única maneira de fazer com que alguém aceite a nossa vontade, é dar-lhe o que deseja!
O famoso Dr. Sigmund Freud, dos mais notáveis psicólogos do sec. XX, afirma que em nós, tudo emana de dois motivos: a necessidade sexual e o desejo de ser grande. O prof. Jonh Dewey, filósofo Americano, pensa um pouco diferente e afirma que a mais funda solicitação da natureza humana é o desejo de ser importante. Guarde esta frase: «O desejo de ser importante».
O que desejam quase todos os adultos normais?
1º Saúde e preservação de vida. 2º Alimento. 3º Repouso. 4º Dinheiro e tudo quanto o dinheiro pode proporcionar. 5º Vida futura. 6º Satisfação sexual. 7º O bem-estar dos filhos. 8º Uma sensação de importância.
Quase todos os desejos, em maior ou menor quantidade, mais cedo ou mais tarde, são satisfeitos. Todos menos o que se apresenta quase tão profundo como o desejo de alimento ou de repouso e que, raramente é satisfeito, sentirmo-nos importantes.
Fica aqui mais uma frase para guardarem: «O mais profundo princípio da natureza humana é a ânsia de ser apreciado».
Um meu conhecido, empresário de sucesso, disse-me uma vez: «Tenho viajado muito e encontrado muitos homens em várias partes do mundo, mas ainda não encontrei uma homem que, seja qual for a sua situação, não tenha feito melhor trabalho sob um espírito de aprovação, pondo nele maior esforço do que se tivesse de fazê-lo sob um ambiente de crítica». Esse homem é agora o “Master” de uma das maiores redes imobiliárias de Portugal. Então, porque não tentar seguir o mesmo raciocínio que têm as pessoas de sucesso?
Conversei com algumas pessoas que pensam ser um crime alguém deixar a sua família ou os seus empregados seis dias sem comer. Porém, são capazes de os deixar seis dias, seis semanas, e muitas vezes sessenta anos sem lhes dispensar algumas palavras de consideração, coisa que eles desejam tanto como o alimento.
Mas agora, há que distinguir entre consideração e bajulação sendo que, com a consideração podemos dar um elogio sincero. Então como separar os dois? Simples. Um é sincero a outra hipócrita; um vem do coração, a outra da boca; um é altruísta, a outra egoísta; um é universalmente admirado, a outra é universalmente condenada.
Li uma vez como se deve definir a bajulação: «Bajulação consiste em dizer a alguém justamente o que ele pensa de si mesmo.».
Ouvi por casualidade a conversa entre dois senhores que desconheço durante uma convenção de negócios. Um deles dizia: «Todo o homem que encontro me é superior em alguma coisa e, nisso em particular, aprendo com ele». Ora aí está mais uma frase para guardar. Eu, por meu lado, vou recordá-la até ao fim dos meus dias.
Pensem comigo. Se há algo, por ínfimo que seja, que se pode aprender com outra pessoa, deverá também haver algo para apreciar. Então por que não fazer uma apreciação e um elogio sincero? E como procede a maioria dos homens? Exactamente ao contrário. Se não gosta de alguma coisa, investe, goza, critica; se gosta não diz nada.
Vamos tentar fazer uma experiência durante alguns dias. Deixemos de pensar nas nossas qualidades e nos nossos desejos e experimentemos descobrir as qualidades boas que os outros possuem (mesmo que estejam bastante bem escondidas). Esqueçamos a bajulação ou a crítica e façamos um honesto e sincero elogio.
Guarde mais esta última frase: «Seja sincero na sua aprovação e pródigo no seu elogio» e as pessoas prezarão as suas palavras, guardando-as e repetindo-as anos depois, quando já as tiver esquecido.
(continua dentro de alguns dias)
Mas não resisto em deixá-los com uma frase que vou explorar em “Lidar com Pessoas – Parte II”
«O próprio Deus não se propôs julgar os homens antes do fim dos seus dias, porque havemos de fazê-lo nós?»
sábado, 26 de maio de 2007
Contos - "Lasciva e Sensual"
Ao longo do Blog (que espero durar muito tempo), vou publicar também alguns contos originais, bem como outros, se possível devidamente indexados e que, pela sua natureza, mereçam ser postados aqui.
Podem também encontrar alguns dos meus textos, poemas e outras "Palavras", no site das Edições EC - Escrita Criativa, que estão desde já convidados a visitar.
Todos os meus contos são pura ficção mas... o que é a ficção senão uma história fictícia sobre a possível realidade de alguém?
Sete horas da tarde.
Sentado no banco de pedra sobre a falésia, observava as ondas enquanto esperava que o pôr-do-sol me trouxesse inspiração para mais um conto.
Em pleno mês de Abril, o pouco movimento na Ilha do Baleal deixava o mar cantar a sua canção quase sem interrupções. Com o caderno de apontamentos a postos, aguardava.
«Só mais uns minutinhos.» – Pensei.
Foi então que uma mão tocou ao de leve no meu ombro numa carícia tão suave como uma brisa morna que quase não se sente.
Virei-me.
Atrás de mim uns olhos azuis e cristalinos reflectiam o amarelo avermelhado do sol que começava a pousar sobre o oceano. O meu espanto foi imediatamente ultrapassado pela beleza dos cabelos claros que esvoaçavam serenamente açoitando a face do anjo que sorria para mim.
«Posso sentar-me?» – Disse.
Sem conseguir falar, sinalizei-lhe que sim.
Ela sentou-se mesmo ao meu lado deixando quase um metro de banco desocupado. Olhava-me com um misterioso sorriso, tal Mona Lisa enigmática e provocante.
Quando, ao fim de alguns segundos de silêncio, finalmente consegui recuperar a voz e me preparava para perguntar-lhe o nome, um dedo indicador colou-se nos meus lábios e, a mesma mão que antes me tocara no ombro, afagava-me agora carinhosamente a perna esquerda.
Um arrepio percorreu-me toda a coluna.
Aquele dedo que me pressionava deliciosamente o lábio, aqueles olhos meigos cor do mar, aquela boca lasciva…
Perdi a noção de tudo! Do sitio onde estava, das janelas que escondiam olhares indiscretos, do desconforto no banco de pedra. Tudo! O bloco de apontamentos voou pela falésia enquanto uma excitação que ultrapassava tudo o que tinha sentido até então se apoderava de mim.
Tinha de possuí-la ali mesmo.
Já não me interessava o nome, quem era, o que fazia ali… Beijei-a sofregamente e arranquei-lhe de um puxão a fina camisa de seda. Ela sorriu enquanto num só gesto, hábil e pensado, me desabotoou os as calças e me puxou pelo pescoço até eu conseguir sentir a sua respiração.
«Vamos!» – Ouvi-a dizer num murmúrio enquanto sentia que me apertava cada vez mais o braço.
«Vamos!» – Disse-me outra vez. Mas a dor era agora mais forte.
Olhei para trás.
Um braço peludo agarrava-me com força e uns olhos castanhos escondidos por baixo das sobrancelhas carregadas olhavam-me divertidos.
«Vamos!» – Repetiu um homem com calças de pintor e uma barba negra, espessa, pingada com salpicos multicolores. – «É melhor acordar ou ainda se descuida e cai lá em baixo. Não interrompi nenhum sonho agradável, pois não?»
Voltei à realidade e sorri.
A canção calma das ondas tinha-me embalado ao ponto de adormecer mas, afinal a inspiração para o conto tinha chegado mais uma vez.

