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sábado, 28 de julho de 2007

Poemas X - Apenas uma Onda


Uma Onda

Arrastada pelo vento
chega branca e salgada
mas, desfaz-se em um momento
numa praia desolada.

Carregada pela maré
por quilómetros sem fim,
a onda leva consigo
o perfume de um jardim.

Algas são flores do mar
que alimentam o seu perfume
e, a maré trás consigo
a certeza de um ciúme.

Até a linda roseira
num jardim à beira mar,
murcha com o travo agreste
da forte brisa do mar.

Olhos olham, impotentes
a força da maresia
que engole no seu seio
a majestosa baía.

Ó mar, fonte de vida,
como te posso entender
se, a uns levas comida
e a outros fazes sofrer.

Sentado numa falésia
alguém brada um lamento.
Só lhe resta olhar as ondas
arrastadas pelo vento.


Surf in Peniche


© H. Vicente Cândido (21-1-2007, Peniche)

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Poemas VII - Velha Traineira

E aqui vai mais um poema em jeito de canção, dedicado a todos os pescadores desta linda terra que é Peniche.

Quem sabe se um dia não aparece por aqui alguém com uma idéia para a musicar e um outro alguém com voz para a cantar.

Brincadeiras à parte, espero que gostem.




Velha Traineira



Velha traineira
vai rumando, altaneira
desflorando a bandeira
de um povo junto ao mar.
Velha barcaça,
que já perdeu sua graça
mas que a forte carcaça
ainda deixa navegar.


Barco velhinho
vai seguindo o seu caminho
mar a dentro direitinho
correndo sem se cansar.
Leva consigo
velhos lobos da maré
com sabedoria e fé
deitam as redes ao mar.


Linda traineira,
volta de sua viagem
devagar, ruma p’rá margem
pois o porto a espera.
Mais uma vez
forçando seu coração
trás toda a tripulação
são e salva para terra.


Mas desta vez,
não parou no seu destino
e ao longe ouviu-se um sino
que o som, o vento levou.
Anunciando
que p’rá doca era levada
ali ficou ancorada
a viagem terminou.


Aguarda agora
maldizendo a sua sorte
depois de enfrentar a morte
tanta vez em alto mar.
Mesmo a seu lado
está mais um barco encalhado,
partido, despedaçado
nunca mais vai navegar.

Agora sabe
um pouco mais conformada
está sua vida acabada
nada mais pode fazer.
Fecha os olhos
ao som de fortes pancadas
serrotes e marteladas
pode enfim em paz morrer.





© H. Vicente Cândido, 28-09-2006 (restaurante "O Beirão")


sexta-feira, 1 de junho de 2007

8º Festival Sabores do Mar - Programa

Começa hoje o 8º Festival Sabores do Mar na Cidade de Peniche.
Para quem quiser saber todos os pormenores, fica aqui o programa completo.

VIII Festival sabores do Mar


1 Junho (Sexta-feira)Comemorações do Dia Mundial da Criança

14:00h - Comemorações do Dia Mundial da Criança - actuação de Carlos Alberto Moniz (Integrado no 50º Aniversário dos SMAS) (Recinto dos B.V.P)*
18.30h – Inauguração do Festival (Fortaleza - Capela de S. Bárbara)
18.30h / 24.00h – Artesanato (Forte das Cabanas)
19.00h / 21.30h – Animação de Rua
19.45h - Inauguração da Exposição de Fotografia Subaquática “O Nosso Mar” de Luís Quinta (Instituto de Socorros a Náufragos até 10 de Junho)
22.00h - Montelunai ( World Music) (Largo da Ribeira)


2 de Junho (Sábado)


2 a 9 de Junho - Expedição Berlengas – “Esboços de Naturalistas”, Pedro Salgado - 10ª Expedição em autonomia às Berlengas em KayaK 2007 (Peniche -Berlenga)

13.00h / 24.00h – Artesanato (Forte das Cabanas)
14.00h - Festival de Escolas de Natação (Piscinas de Peniche)
14.30h - Regata de Veleiros de Cruzeiro (Peniche -Berlenga-Peniche) – Organização Clube Naval de Peniche
15.00h - Inauguração da Exposição de Fotografia "Estruturas e Transformações” de Hugo Wirz (Edifício Cultural da CMP até 30 de Junho)
15.30h – Tarde de Folclore - Rancho Folclórico: “As Lavadeiras de Bolhos” e Rancho Folclórico “Os Camponeses da Beira Mar” (Fórum da Parreirinha)
19.00h - Eucaristia em homenagem aos Pescadores (Igreja de S. -Pedro)
20.30h / 22.00h - Animação de Rua
23.00h - Xutos & Pontapés (Largo da Ribeira)


3 de Junho (Domingo)
Comemorações do Dia do Pescador - 10ª Expedição em autonomia às Berlengas em KayaK 2007 (Berlenga – Peniche)

10.00h - Seminário: “MAR: Segurança Marítima e Pescas” (Auditório do Edifício Cultural da CMP)
12:30h – Apresentação do Heliporto de Peniche (Recinto dos B.V.P)
13.00h - Almoço do Pescador (Cantina Municipal)
13.00h / 23.00h – Artesanato (Forte das Cabanas)
15.00h - Deposição de coroa de flores no monumento ao Pescador (Largo da Ribeira)
15.30h - Dia do Pescador: Sessão Extraordinária da Câmara Municipal de Peniche (Largo da Ribeira)
17.00h - Fado com António Severino (Largo da Ribeira)
20.30h / 22.00h – Animação de Rua
21.30h - Actuação da Banda Sinfónica da Guarda Nacional Republicana (Largo da Ribeira)


4 de Junho (Segunda-feira)


18.30h / 23.00h – Artesanato (Forte das Cabanas)
21.30h - Cantar d' Amigos (Largo da Ribeira)


5 de Junho (Terça-feira)


18.30h / 23.00h – Artesanato (Forte das Cabanas)
21.30h - Animação Musical – Bandas Locais -Bandamekos e Missinglink (Largo da Ribeira)


6 de Junho (Quarta-feira)


15.00h - Seminário – “Peniche no Oeste: um Mar de oportunidades para o turismo” (Auditório do Edifício Cultural da CMP)
18.30h / 24.00h – Artesanato (Forte das Cabanas)
20.30h / 22.00h - Animação de Rua
22.00h - Festival de Acordeão com Ana Sofia Campeã, Marlon Valente, David Rocha, Luís Raquel e Luísa Raquel (Largo da Ribeira)


7 de Junho (Quinta-feira) Feriado


10.00h – Seminário - “Artesanato: uma oportunidade de envolvimento” (Auditório do Edifício Cultural da CMP)
10.00h / 19.00h - "Boa Onda Cofidis" – Liga de Verão de Futebol de Praia - diversas actividades (Parque Gaivotas Sports)
13.00h-Travessia a Nado (Berlenga – Peniche )
13.00h / 15.00h- Animação de Rua
13.00h / 23.00h – Artesanato (Forte das Cabanas)
16.00h – Amartuna - Tuna Académica da ESTM (Fórum da Parreirinha)
17.00 – Chegada da Travessia a Nado (Cais da Ribeira )
21.30h – Noite de Fados com artistas locais (Largo da Ribeira)


8 de Junho (Sexta-feira)

10.00h / 19.00h - Convenção: “Sou de Peniche” (Auditório do Edifício Cultural da CMP)
10.00h / 18.00h – "Boa Onda Cofidis" – Liga de Verão de Futebol de Praia – diversas actividades (Parque Gaivotas Sports)
18.00h / 19.00h - Liga de Clubes de Futebol de Praia (J1) - Setúbal vs Estoril (Parque Gaivotas Sports)
18.30h / 24.00h – Artesanato (Forte das Cabanas)
19.00h / 20.00h - Liga de Clubes de Futebol de Praia (J2) - Benfica vs Peniche (Parque Gaivotas Sports)
20.30h / 22.00h - Animação de Rua
23.00h - Da Weasel (Largo da Ribeira)


9 de Junho (Sábado)


9.00h / 11.30h – "Boa Onda Cofidis" – Liga de Verão de Futebol de Praia - diversas actividades (Parque Gaivotas Sports)
9.00h / 11.00h – "Boa Onda Cofidis" – Liga de Verão de Futebol de Praia – Disney Kids -DIRECTO SIC (Parque Gaivotas Sports)
11.00h / 12.00h - Liga de Clubes de Futebol de Praia (J3) - Porto vs Setúbal (Parque Gaivotas Sports
13.00h / 24.00h – Artesanato (Forte das Cabanas)
14.00h / 15.00h - Liga de Clubes de Futebol de Praia (J4) - Benfica vs Sporting (DIRECTO SIC) - (Parque Gaivotas Sports)
15.00h / 17.00h – Programa de TV – DIRECTO na SIC (Parque Gaivotas Sports)
17.00h / 18.00h - Liga de Clubes de Futebol de Praia (J5) - FC Porto vs Estoril (Parque Gaivotas Sports)
18.00h / 19.00h - Liga de Clubes de Futebol de Praia (J6) - Peniche vs Sporting (Parque Gaivotas Sports)
20.30h / 22.30h - Animação de Rua
22.00h – Alba Plena e Dogma (Largo da Ribeira)
24.00h – Passeio Marítimo - turístico: Peniche à noite vista do mar a bordo de embarcações marítimo-turísticas (Cais da Ribeira)
Embarque na Marina junto à estação do ISN (inscrições no Quiosque Sabores do Mar)Lançamento de fogo de artifício


10 de Junho (Domingo)


10.00h / 19.00h - "Boa Onda Cofidis" – Liga de Verão de Futebol de Praia - diversas actividades (Parque Gaivotas Sports)
13.00h / 23.00h – Artesanato (Forte das Cabanas)
13.00h / 15.00h - Arruada - Bandinha da Amizade
14.00h / 15.00h - Jogo de Exibição de Futebol de Praia Feminino
15.00h / 16.00h - Liga de Clubes de Futebol de Praia (J7 – 3º/4º) (Parque Gaivotas Sports)
16.00h / 17.00h - Liga de Clubes de Futebol de Praia (J8 – Final) (Parque Gaivotas Sports)
22.00h - Declínios (Largo da Ribeira)

sábado, 26 de maio de 2007

Contos - "Lasciva e Sensual"


Ao longo do Blog (que espero durar muito tempo), vou publicar também alguns contos originais, bem como outros, se possível devidamente indexados e que, pela sua natureza, mereçam ser postados aqui.
Podem também encontrar alguns dos meus textos, poemas e outras "Palavras", no site das Edições EC - Escrita Criativa, que estão desde já convidados a visitar.

Todos os meus contos são pura ficção mas... o que é a ficção senão uma história fictícia sobre a possível realidade de alguém?


      Sete horas da tarde.

      Sentado no banco de pedra sobre a falésia, observava as ondas enquanto esperava que o pôr-do-sol me trouxesse inspiração para mais um conto.
      Em pleno mês de Abril, o pouco movimento na Ilha do Baleal deixava o mar cantar a sua canção quase sem interrupções. Com o caderno de apontamentos a postos, aguardava.
      «Só mais uns minutinhos.» – Pensei.
      Foi então que uma mão tocou ao de leve no meu ombro numa carícia tão suave como uma brisa morna que quase não se sente.
      Virei-me.
      Atrás de mim uns olhos azuis e cristalinos reflectiam o amarelo avermelhado do sol que começava a pousar sobre o oceano. O meu espanto foi imediatamente ultrapassado pela beleza dos cabelos claros que esvoaçavam serenamente açoitando a face do anjo que sorria para mim.
      «Posso sentar-me?» – Disse.
      Sem conseguir falar, sinalizei-lhe que sim.
      Ela sentou-se mesmo ao meu lado deixando quase um metro de banco desocupado. Olhava-me com um misterioso sorriso, tal Mona Lisa enigmática e provocante.
      Quando, ao fim de alguns segundos de silêncio, finalmente consegui recuperar a voz e me preparava para perguntar-lhe o nome, um dedo indicador colou-se nos meus lábios e, a mesma mão que antes me tocara no ombro, afagava-me agora carinhosamente a perna esquerda.
      Um arrepio percorreu-me toda a coluna.
      Aquele dedo que me pressionava deliciosamente o lábio, aqueles olhos meigos cor do mar, aquela boca lasciva…
      Perdi a noção de tudo! Do sitio onde estava, das janelas que escondiam olhares indiscretos, do desconforto no banco de pedra. Tudo! O bloco de apontamentos voou pela falésia enquanto uma excitação que ultrapassava tudo o que tinha sentido até então se apoderava de mim.
      Tinha de possuí-la ali mesmo.
      Já não me interessava o nome, quem era, o que fazia ali… Beijei-a sofregamente e arranquei-lhe de um puxão a fina camisa de seda. Ela sorriu enquanto num só gesto, hábil e pensado, me desabotoou os as calças e me puxou pelo pescoço até eu conseguir sentir a sua respiração.
      «Vamos!» – Ouvi-a dizer num murmúrio enquanto sentia que me apertava cada vez mais o braço.
      «Vamos!» – Disse-me outra vez. Mas a dor era agora mais forte.
      Olhei para trás.
      Um braço peludo agarrava-me com força e uns olhos castanhos escondidos por baixo das sobrancelhas carregadas olhavam-me divertidos.
      «Vamos!» – Repetiu um homem com calças de pintor e uma barba negra, espessa, pingada com salpicos multicolores. – «É melhor acordar ou ainda se descuida e cai lá em baixo. Não interrompi nenhum sonho agradável, pois não?»
      Voltei à realidade e sorri.
      A canção calma das ondas tinha-me embalado ao ponto de adormecer mas, afinal a inspiração para o conto tinha chegado mais uma vez.




© Palavras (de H. Vicente Cândido)

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Poemas II - Peniche, Filha do Mar

Dizem que o mar é calmo e inspirador.
Sou obrigado a concordar pois, quando me sento ao final da tarde na Ilha do Baleal a três quilómetros de Peniche, simplesmente para observar as ondas e aproveitar a calma do pôr-do-sol, é impossível manter o bloco de apontamentos guardado e a caneta quieta.
Foi numa dessas ocasiões que saiu o poema que transcrevo abaixo.
Espero que gostem.





domingo, 20 de maio de 2007

Sabores do Mar 2007

Vai ter início no dia 1 de Junho o 8º Festival "Sabores do Mar" a decorrer em Peniche até dia 10 do mesmo mês.

Para além da excelente gastronomia e da vasta e atractiva programação, que podem consultar em pormenor no site da Câmara Municipal de Peniche, há que salientar a actuação do grupo Xutos & Pontapés no Sábado, dia 2 de Junho.


sexta-feira, 18 de maio de 2007

Poemas I - O Pescador

Natural de Peniche e residente numa aldeia deste mesmo conselho, eu não podia deixar de iniciar este Blog com um poema dedicado aos incansáveis pescadores desta terra que, dia após dia enfrentam as forças da natureza navegando por um mar onde já tantos pereceram.


Peniche,
onde o mar reflecte o olhar
de um pescador aflito. Triste,
de olhos em riste
sobre um amargo maço
de notas na mão
que mal chega para as despesas:
O carro, a casa, a luz
e o pão?
Fica para a próxima!
Hoje, os três filhos e a mulher
comem do que houver.
Os restos de um jantar
sobre as luzes da ribalta
mas, o vinho…
Esse não falta.
E no fim-de-semana que se aproxima
conta-se o resto dos tostões
sem ligar às consequências,
pois há que manter as aparências.
Preparam-se para a diversão
com a família, os tios, a prima
e o pão?
Fica outra vez para trás.
Se para mostrar que é capaz
de sustentar a família,
mês a mês,
ano após ano,
passa para segundo plano
comida farta na mesa
pois é melhor, com certeza,
mostrar a todos que está bem
do que sofrer do vizinho
aquele olhar de desdém.
E os filhos apontados,
eles e outros tais
como reles marginais,
sempre fingindo estar bem.
E a mãe?
Ajudando no que pode
por migalhas, vai à luta
e é chamada de puta
se o marido não está,
pois é vista aqui e além
esquecida de fingir
que não consegue dormir
e que a comida na mesa
não e mais uma certeza.
Com o suor de sua mão
finalmente, trás o pão
para uma casa singela
onde a mentira se esvai.
E naquele simples lar
como outros a seu redor,
no final, todos se abraçam
e o mais novo filho agradece
por ter um pai pescador.


H. Vicente Cândido, 24-09-2006