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segunda-feira, 16 de julho de 2007

Poemas IX - Uma Mosca

E para deixar por alguns instantes os assuntos mais sérios de lado, vamos fazer
justiça a um dos mais usuais hospedes das nossas casas, as Moscas.

Espantada aqui e além
vai a mosca impertinente.
Zune e voa pela casa,
atormenta toda a gente.

Mata-moscas se agitam
numa tentativa vã
de apanhar a mosquinha
que volta sempre amanhã.

Com o rabo reluzente
vem a mosca varejeira
pousa leve e delicada
num monte de caganeira.

Não repara enquanto come
que alguém horrorizada
olha para a porcaria
e, é outra vez espantada.

Coitada da pobre mosca
que não estorva ninguém,
qualquer bosta a contenta
mas nem na merda está bem.

Entra em casa novamente
procurando mais comida,
a medo, pousa na mesa
com a toalha estendida.


Aquelas simples migalhas
olha-as com sofreguidão
e encontra nesses restos
a almejada refeição.

Já depois de bem tratada
não repara, com certeza
numa mão forte e pesada
que a espalma na mesa.

Coitada da varejeira
que por comer em má hora
nunca mais se levantou,
morreu com as tripas de fora.










© H. Vicente Cândido (15-01-2007 – Serra d’el Rei)


quinta-feira, 31 de maio de 2007

Poemas III - Jornal Diário

De perna traçada,
distraído,
lias um jornal
indiferente ao movimento,
ao barulho.
Passavas com os olhos
os cabeçalhos de uma noticia
mais quente.
Puro entulho!
Lixo que se escreve
em páginas impressas,
sensacionalistas, porcas,
perversas.
Mas vendem!
O povo quer ler
sobre as desgraças do mundo
para as suas esquecer.
Ler notícias de campeões
adorados por multidões,
das “tias” , dos milionários
e dos ricos empresários,
da vida que queriam ter.
Lêem a desgraça alheia
com sofreguidão, fervor,
devorando calamidades
para esquecer as verdades
duma monotonia lerda.
Pensam consigo e não dizem:
– Minha vida é uma merda!
Mas há quem esteja pior.





© H. Vicente Cândido, 29-09-2006 (Associação da Atalaia – Lourinhã)