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domingo, 2 de maio de 2010

Tertúlias em Coimbrã

Englobado no projecto participativo do Património Cultural de Atouguia da Baleia, vai ser realizada uma tertúlia em Coimbrã, no edificio da Associação Cultural e Recriativa D. Inês de Castro, na segunda-feira, dia 3 de Maio de 2010, pelas 21h30.
A participação está aberta a todos.

Venha tomar um cafézinho, a aproveite para saber como anda o nosso património cultural.

Está em desenvolvimento o projecto de inventário participativo do Património Cultural de Atouguia da Baleia. Este projecto, associado ao Centro Interpretativo de Atouguia da Baleia (CIAB), visa o levantamento dos activos patrimoniais da freguesia, em estreita articulação com a comunidade local.

O inventário participativo será posteriormente alargado a outras freguesias do concelho.

Estão a ser desenvolvidas sessões de inventário com a participação da população, numa co-organização entre a Câmara Municipal e as colectividades e associações locais. Neste sentido, já se realizaram tertúlias em Atouguia da Baleia, S. Bernardino, Geraldes e Lugar da Estrada, nos meses de Fevereiro e Março.

Integrado na Rede Museológica do Concelho de Peniche, o Centro Interpretativo de Atouguia da Baleia é um projecto coordenado pela Câmara Municipal em parceria com a Junta de Freguesia e Fábrica Paroquial, tendo a sua sede na igreja de S. José e edifício anexo, em fase de construção, na Vila de Atouguia da Baleia.

O CIAB tem como objectivo proporcionar uma visão integrada da região histórica de Atouguia da Baleia englobando conhecimentos de diversas áreas científicas, numa perspectiva interdisciplinar. A igreja de S. José dará lugar a um espaço multi-usos, onde se realizarão exposições temporárias, conferências, concertos, entre outros eventos.

O CIAB será um pólo de desenvolvimento local e factor de atracção de turismo cultural através das exposições e actividades patentes no próprio espaço museológico mas também pela valorização de circuitos contemplando outros sítios de interesse patrimonial do concelho.

Este é um núcleo que ultrapassa as paredes do seu edifício sede, sendo fundamental para a concretização da sua missão a participação das populações locais na sua implementação e nas actividades que venham a ser promovidas.



Fonte: Câmara Municipal de Peniche

terça-feira, 18 de setembro de 2007

História - D. Inês de Castro

Sendo eu natural de Coimbrã, concelho de Peniche, sinto-me na obrigação de deixar aqui um breve relato histórico sobre D. Inês de Castro, uma vez que este cantinho perto do mar foi confidente de diversos encontros amorosos entre esta formosa dama e D. Pedro.

Cena da morte de D. Inês - Quadro de Columbano, Museu Militar, LisboaD. Inês de Castro era uma fidalga galega, de rara formosura, que fez parte da comitiva da infanta D. Constança de Castela, quando esta, em 1340, se deslocou a Portugal para casar com o príncipe D. Pedro (1320-1367).

A beleza singular de D. Inês despertou desde logo a atenção do príncipe, que veio a apaixonar-se profundamente por ela. Desta paixão nasceu entre D. Pedro e D. Inês uma ligação amorosa que provocou escândalo na Corte portuguesa, motivo por que o rei resolveu intervir, expulsando do reino Inês de Castro, que veio a instalar-se no castelo de Albuquerque, na fronteira de Espanha.

D. Constança morre de parto em 1345 e a ligação amorosa entre D. Pedro e D. Inês estreita-se ainda mais: contra a determinação do rei, D. Pedro manda que D. Inês regresse a Portugal e instala-a na sua própria casa, onde passam a viver uma vida de marido e mulher, de que nascem quatro filhos.

Os conselheiros do rei aperceberam-se das atenções com que o herdeiro do trono português recebia os irmãos de D. Inês e outros fidalgos galegos, chamaram a atenção de D. Afonso IV para aquele estado de coisas e para os perigos que poderiam advir dessa circunstância, uma vez que seria natural antever a possibilidade de vir a criar-se uma influência dominante de Castela sobre a política portuguesa. Persuadiram o rei de que esse perigo poderia afastar-se definitivamente, se se cortasse pela raiz a sua causa real: a influência que D. Inês exercia sobre o príncipe D. Pedro, que um dia viria a ser rei de Portugal. Para isso seria necessário e suficiente eliminar D. Inês de Castro.

O problema foi discutido na presença dos conselheiros do rei em Montemor-o-Velho, e aí ficou resolvido que Inês seria executada sem demora.

Quando D. Inês soube desta resolução, foi ter com o rei, rodeada dos filhos, para implorar misericórdia, uma vez que ela se considerava isenta de qualquer culpa. As súplicas de Inês só momentaneamente apiedaram D. Afonso IV, que entretanto se deslocara a Coimbra para que se desse cumprimento à deliberação tomada. E a execução de D. Inês efectuou-se em 7 de Janeiro de 1355, segundo o ritual e as práticas daquele tempo.

Anos depois, em 1360, D. Pedro I, já então rei de Portugal, jurou, perante a sua corte, que havia casado clandestinamente com D. Inês um ano antes da sua morte.

O tema dos amores de D. Inês e da sua triste morte interessou grande número de poetas e escritores de várias épocas e de várias nacionalidades, e pode dizer-se que se contam por centenas as obras literárias em que o tema foi tratado.

De entre todas distinguirei algumas de cada país que me parece merecerem alusão especial.



Alemanha
- Inez de Castro, tragédia, de F. H. Thelo;
- Inez de Castro, tragédia, de Grottfried von Böhm;
- Inez de Castro, drama, de Joseph Lauff.

França
- la reine du Portugal, tragédia, de Fermin Didot;
- Inez de Castro, tragédia, de Antoine H. de Lamotte;
- Inez de Castro, melodrama, de Victor Hugo;
- Inez de Castro, novela, da Condessa de Genlis;
- La reine morte, drama, de Henri de Montherlant.

Holanda
- Inez de Castro, tragédia, de Rhynius Feith.

Inglaterra
- Inez, the bride of Portugal, tragédia, de Neil Ross;
- Agnez de Castro, tragédia, de Catherine Cockburn;
- Ines de Castro, drama, de Mary Russel Milford;
- Agnes de Castro, tragédia, de Lady Sound;

Itália
- Ines de Castro, tragédia, de Davide Bertolotti;
- Ines di Castro, drama, de Luigi Baudozzi;

Portugal
- A Morta, drama, de Henrique Lopes de Mendonça;
- Nova Castro, tragédia, de J. José Sabino;
- A Castro, tragédia, de Domingos Reis Quita;
- Inez de Castro, romance, de Mendes Leal;
- A Fonte dos Amores, poesias, de Sousa Viterbo;
- D. Pedro e D. Inês, romance, de Antero de Figueiredo;
- D. Inez de Castro, poemeto, de Eugénio de Castro;
- A Castro, tragédia em cinco actos e em verso solto, da autoria do poeta António Ferreira (1528-1569), que é geralmente considerada a obra-prima do teatro clássico português. Esta obra tem por assunto os amores e a triste morte de D. Inês de Castro, que o autor trata com verdadeira mestria. De entre todas as cenas merece atenção especial aquela em que o coro anuncia a Inês a terrível sentença da morte que a aguarda. - O escritor português Almeida Garrett (1799-1854) considera os coros de «A Castro» de António Ferreira superiores a muitos coros das tragédias da Antiguidade.
- Inês de Castro é também uma ópera da autoria do compositor português Rui Coelho (n. 1881).
- Inês de Castro é ainda uma estátua de mármore da autoria do escultor português José Simões de Almeida (1880-1950).
- Pedro e Inês, série televisiva apresentada em 2005, da autoria de Francisco Moita Flores.


Túmulo de D. Inês em Alcobaça

Fonte: Diciopédia 2006 - Porto Editora, 2005. ISBN: 972-0-65260-8



sábado, 21 de julho de 2007

PADRE NOSSO - Levantando o Véu..!

Como prometido em 'Posts' anteriores, vou desvendar um pouco do que podem encontrar no livro "Padre Nosso". Abaixo podem ler o PRÓLOGO e um excerto do Capítulo XIV.


Visite a FEIRA DO LIVRO em peniche até 5 de Agosto de 2007

PRÓLOGO

             As paredes do Palácio do Vaticano ressoaram com a voz irritada do Papa Bento XVI. Normalmente calmo, a prudência nunca fora um dos seus principais atributos e, naquele dia, tinha passado completamente dos limites enquanto gritava furiosamente em alemão dentro da sua sala particular:
            «E não quero saber o que Wojtyla pensava. Karol Wojtyla foi o passado, agora somos nós que temos de tomar as nossas próprias decisões. Eu quero os culpados apanhados e condenados. Quero todos os nomes, desde o mais baixo até ao cabecilha e quero isso resolvido quanto antes.»
            Outra voz num tom calmo e muito mais baixo respondia-lhe em italiano:
            «Mas… Sua Santidade, não será melhor reflectir antes de tomar essa decisão? O papa João Paulo II e os outros antes dele tinham os seus motivos para tentarem resolver as coisas de outra maneira. Não quer tentar saber mais antes de avançar?»
            «O Wojtyla não teve treino militar, era polaco e era adorado por ser fraco. A Igreja não pode demonstrar fraqueza perante ninguém. Não somos um estado independente por baixar a cabeça, embora seja essa a imagem que passa para fora. Não podemos compactuar com o demónio. Eu sei perfeitamente que devemos ser prudentes ao mexer em alguns assuntos mas, mais importante é descobrir e desmascarar os culpados, pois um acto destes não pode ficar impune.»
            Três vozes responderam em uníssono:
            «Abençoado o herdeiro de S. Pedro.»
            Momentos depois, a habitual tranquilidade voltava a instalar-se no ambiente protegido pelas grossas paredes do edifício.


CAPÍTULO XIV

            (...)A porta gradeada de aço maciço fechou-se atrás de Durval assim que ele entrou. O guarda trancou cuidadosamente a caixa cinzenta na parede que protegia o sistema de abertura individual de cada cela fazendo ecoar o já característico Clank das fechaduras reforçadas.
            O padre encontrava-se deitado numa estreita cama de ferro com pouco mais de meio metro de altura onde se via obrigado a flectir as pernas para que estas se conseguissem acomodar por cima do quase invisível colchão pouco mais espesso que um comando de televisão. Um ponto de luz no tecto e uma janela ainda mais pequena que a existente no escritório do primeiro-cabo, completavam a débil decoração.
            – Boa noite Sr. Padre! – Exclamou Durval em voz alta ao ver que o padre não reagia à sua presença.
            O padre António levantou os olhos pachorrentamente e mirou a figura que se encontrava à sua frente durante alguns segundos, voltando depois à posição inicial. Ficou assim mais alguns segundos até que se levantou de um salto fazendo Durval recuar perante o acto inesperado do sacerdote. Este estendeu a mão e indicou-lhe o sítio onde estivera deitado num convite.
            – As instalações são modestas mas, sentados cabemos os dois. – Disse em tom de laracha. – Então o que o trás aqui? Não me vai dizer que se deu ao trabalho de vir falar comigo à prisão só para tratar dos pormenores da visita à igreja com os seus colegas de tropa.
            – Sabe bem que não é esse o motivo. – Começou Durval aceitando o convite do padre e sentando-se. – Aliás, perante a situação actual, já deve ter calculado que a minha insistência nessa visita foi para ver a sua reacção. Se não o adivinhou, estou a dizer-lhe agora.
            O padre ajeitou-se na cama recostando-se ao canto da cela sem deixar escapar um som nem mudar a sua impávida expressão, limitando-se a esperar que Durval continuasse.
            – O.K. Eu não vou estar aqui com rodeios e vou directo ao assunto. Você deu liberdade ao Jofre para fazer o que achasse melhor e, foi o que ele fez. Entendeu que eu o poderia ajudar e contou-me toda a conversa que vocês tiveram hoje de tarde.
            A frase inicial teve o efeito pretendido e o padre baixou um pouco a guarda, dando-se ao trabalho de responder.
            – Já calculava que isso iria acontecer, o que me leva a fazer novamente a mesma pergunta: E o que está aqui você a fazer? Que eu saiba, não é advogado para me defender. Veio tentar obter uma confissão em troca de uma pena mais curta? Veio cá a pedido do Jofre? Aquele coitado é uma jóia de pessoa mas, também ele não sabe mais do que aquilo que eu lhe contei e, de certeza nada do que eu lhe disse me pode ajudar. O que quer afinal? Eu não vou acrescentar mais nada ao que disse anteriormente no interrogatório feito pelo cabo Dias. Coitado desse também! Pensa que é o maior mas nem consegue ver o que acontece debaixo do seu nariz.
            – Já terminou? – fez uma pausa para ter a certeza que o padre o iria ouvir. – Eu estou aqui porque penso que não foi você que matou a Dora. Acho que foi apanhado num enredo muito para além das suas capacidades de o resolver sozinho e acho que é um homem bom que eu não gostaria de ver apodrecer na imundice de uma prisão. – Fez mais uma pausa. – Perguntou-me o que vim fazer aqui? Vim tentar evitar que você se destrua e que, por causa de alguns indivíduos perca a fé na igreja. Vim procurá-lo porque está na hora de alguém por um fim a esta guerra de interesses e a todo o mal que dela provém. Vim falar consigo porque é o único que me pode ajudar a terminar com tudo isto. – Uma nova pausa, desta vez mais prolongada seguida de uma espreitadela para o relógio. – E tenho quinze minutos para o fazer.(...)

quinta-feira, 21 de junho de 2007

A Cinderela do Século XXI

Se quiserem contar a história da Cinderela ás crianças sem que sejam apelidados de COTAS, deixo-vos com a versão actualizada que podem ler abaixo. (Se conseguirem.)





Há bué da time havia uma garina cujo cota já tinha esticado o pernil e que vivia com a chunga da madrasta e as melgas das filhas dela.

Cinderela, Cindy para os amigos, parecia que vivia na prisa, sem tempo para sequer enviar uns mails.

Com este desatino só lhe apetecia dar de frosques, porque a madrasta fazia bué de cenas.

É então que a Cindy fica a saber de alta cena que ia acontecer: Uma party..!

A gaja curtiu totil a ideia, mas as outras chavalas cortaram-lhe as bases.

Ela ficou completamente passada, mas depois de andar à toa durante uma beca, apareceu-lhe uma fada baril que lhe abichou uma farda bacana e ela ficou a parecer uma ganda febra.

Só que ela só podia afiambrar da cena até ao bater das 12.

A tipa mordeu o esquema e foi pá borga sempre a abrir. Ao entrar na party topou um mano cheio da papel, que era bom comó milho e que também a galou.

Aí a Cindy passou-se dos carretos e esbundaram 'all night long', até que ao ouvir das 12 ela teve de se axandrar e bazou.

O mitra ficou completamente abardinado quando ela deu de fuga e foi atrás dela mas só encontrou pelo caminho o chanato da dama.

No dia seguinte, com uma alta fezada, meteu-se nos calcantes e foi a procura do chispe que entrasse no chanato.

Como era alto cromo, teve uma vaca descomunal e encontrou a maluca, para grande desatino das outras fatelas que tiveram ganda vaipe quando souberam que eles iam juntar os trapos.

No fim, a garina e o chavalo curtiram largo e foram bué da happy.

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domingo, 10 de junho de 2007

Monumentos de Peniche - São Leonardo (parte II)

Clique para voltar a São Leonardo (parte I)       O Interior da Igreja.


      Entramos na Igreja e deparamo-nos com três Naves iluminadas por frestas de vão gótico e pela rosácea da frontaria, estando a do centro a um nível superior. Sob um tecto de madeira, os arcos ogivais assentam em altas colunas cujos capitéis se apresentam decorados com imagens de animais e plantas.

      Ao lado esquerdo podemos ver a Pia Baptismal de pedra, do séc. XVI (1562) e uma das Pias de Água Benta da era quinhentista, trabalhada com cabeças de anjo e de pé rectilíneo que se pressupõe ser mais recente do que a própria bacia.

      Continuando pelo lado esquerdo da Igreja e caminhando sobre as várias Lápides Sepulcrais que se podem encontrar ao longo de todo o pavimento, deparamo-nos com diversos painéis também do séc. XVI.

      Da oficina dos Mestres do Sardoal, temos uma pintura sobre madeira representando Anunciação e São João Evangelista e, outra representando São Pedro e São Leonardo. De Lourenço de Salzedo podemos ver uma composição maneirista de muito boa qualidade com o titulo Lamentação sobre o Corpo de Cristo e, atribuído a oficina do Mestre de São Quintino, podemos ver ainda um magnifico painel onde, de um fundo de tapeçaria bordada com ornatos da renascença, se destaca a face de São Leonardo.

      Ainda no lado esquerdo, temos a capela do Santíssimo Sacramento, revestida com azulejos do séc. XVII, com um belo retábulo de pintura maneirista representando a Descida da Cruz e podemos observar um baixo-relevo de calcário branco representando a Natividade. Este belíssimo exemplo da estatuária do séc. XIV de autor e origem desconhecidos foi oferecido à rainha Santa Isabel nos princípios do séc. XIV e é considerada a peça mais valiosa desta Igreja.






«São Leonardo (parte III)»


(continua)



quarta-feira, 6 de junho de 2007

Poemas V - Vinte Anos

Palavras..! Porque escrevê-las se não forem sentidas?

Mais umas vez, as linhas que se seguem só fazem sentido para quem ver nelas algum significado e, embora a poesia seja quase sempre um veículo para expor os sentimentos do próprio poeta, por vezes há necessidade de escrever em versos algo que não corresponde à nossa própria vida, mas à de alguém que, ao ler estas poucas linhas pense para consigo:

"Este fulano escreveu isto a pensar em mim."

Se for o seu caso, espero que aprecie o poema abaixo.





Vinte anos se passaram
e o meu coração
só a ti pertenceu.
Palavras trocamos,
carinho, paixão.
O que aconteceu?
Será que alguma vez
gostaste de mim?
Começo a duvidar.
Serão ausências e voltas,
carinho e desdém,
o que chamas amar?

Penso em ti.
Acordo desolado
a recordar o passado
que não vai voltar.
Por ti, da vida prescindo
e, esqueço que foste mentindo
pois queria acreditar
que as carícias e paixão
vinham do teu coração
e não por simples interesse.
Mas, talvez eu merecesse
por te amar tanto assim.

Convenceste-me a mim
que eu também era amado.
Foi meu erro, meu pecado
não querer ver a verdade
quando tu chegavas tarde
ou nem sequer aparecias.
Por dias, meses, fugias
deixando-me no desespero
ia-te buscar, a medo
e as tuas palavras meigas
iludiam o meu corpo,
brincavam com os meus sentidos
e tu ali, por desporto.

Tantas vezes.

Tantas vezes
que no fim, já nem um beijo.
Ficava eu com o desejo
e um nojo infernal
que me mandava afastar
mas sem nunca querer-te mal.
E tu, cada vez mais
perdias aquele lume.
Para ti, eu era estrume.
Olhavas-me com repulsa
pior que um simples cão
mas, por mais que eu não quisesse,
tinhas sempre o meu perdão.

Afastaste-te de mim.
Foste para outro qualquer
e, sem um adeus sequer
saíste da minha vida.
A minha alma, tão ferida
que é a minha companhia
ainda espera que um dia
numa esperança muito vã,
talvez seja amanhã
que Deus guie os teus passos
e tu, de coração aberto
retornes para os meus braços.





© H. Vicente Cândido, 21-12-2006 (Este poema foi escrito especialmente para... ti.)



segunda-feira, 28 de maio de 2007

Monumentos de Peniche - São Leonardo (parte I)

A Igreja paroquial de São Leonardo foi construída nos finais do século XII num estilo predominantemente romano gótico mas apresenta posteriores marcas manuelinas.

A frontaria é ladeada pela torre sineira rematada por duas pirâmides e o portal do Século. XII é constituído por três arcos que irrompem de pequenas colunas capitalizadas onde são representados animais e criaturas míticas.

Segundo a lenda, na construção das arcadas desta igreja foram usadas ossadas de grandes baleias capturadas pelos pescadores do então porto de “Tauria” e, a razão pela qual São Leonardo é o patrono desta Vila, remete-nos para um barco que transportava prisioneiros gauleses da costa atlântica para o mediterrâneo o qual tinha a bordo uma imagem desse Santo. Esse navio naufragou junto ao porto e, como todos se salvaram do naufrágio, foi ali edificada uma igreja em acção de graças a São Leonardo cuja imagem os acompanhava e ao qual atribuíram o milagre de não terem perecido todos no mar.

Em Portugal, parece ser a única igreja erigida a este Santo e Atouguia da Baleia a única paroquia com esse nome, Paróquia de São Leonardo.

A festa litúrgica é no domingo mais próximo do dia 6 de Novembro, dia completamente preenchido pela Feira de São Leonardo.



(continua)