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quarta-feira, 6 de junho de 2007

Poemas V - Vinte Anos

Palavras..! Porque escrevê-las se não forem sentidas?

Mais umas vez, as linhas que se seguem só fazem sentido para quem ver nelas algum significado e, embora a poesia seja quase sempre um veículo para expor os sentimentos do próprio poeta, por vezes há necessidade de escrever em versos algo que não corresponde à nossa própria vida, mas à de alguém que, ao ler estas poucas linhas pense para consigo:

"Este fulano escreveu isto a pensar em mim."

Se for o seu caso, espero que aprecie o poema abaixo.





Vinte anos se passaram
e o meu coração
só a ti pertenceu.
Palavras trocamos,
carinho, paixão.
O que aconteceu?
Será que alguma vez
gostaste de mim?
Começo a duvidar.
Serão ausências e voltas,
carinho e desdém,
o que chamas amar?

Penso em ti.
Acordo desolado
a recordar o passado
que não vai voltar.
Por ti, da vida prescindo
e, esqueço que foste mentindo
pois queria acreditar
que as carícias e paixão
vinham do teu coração
e não por simples interesse.
Mas, talvez eu merecesse
por te amar tanto assim.

Convenceste-me a mim
que eu também era amado.
Foi meu erro, meu pecado
não querer ver a verdade
quando tu chegavas tarde
ou nem sequer aparecias.
Por dias, meses, fugias
deixando-me no desespero
ia-te buscar, a medo
e as tuas palavras meigas
iludiam o meu corpo,
brincavam com os meus sentidos
e tu ali, por desporto.

Tantas vezes.

Tantas vezes
que no fim, já nem um beijo.
Ficava eu com o desejo
e um nojo infernal
que me mandava afastar
mas sem nunca querer-te mal.
E tu, cada vez mais
perdias aquele lume.
Para ti, eu era estrume.
Olhavas-me com repulsa
pior que um simples cão
mas, por mais que eu não quisesse,
tinhas sempre o meu perdão.

Afastaste-te de mim.
Foste para outro qualquer
e, sem um adeus sequer
saíste da minha vida.
A minha alma, tão ferida
que é a minha companhia
ainda espera que um dia
numa esperança muito vã,
talvez seja amanhã
que Deus guie os teus passos
e tu, de coração aberto
retornes para os meus braços.





© H. Vicente Cândido, 21-12-2006 (Este poema foi escrito especialmente para... ti.)



4 comentários:

marta disse...

É uma boa sensação ler um poema escrito para mim (mesmo que só o seja virtual e supostamente), principalmente num dia em que sentimos o mundo contra nós.
Por deformação profissional - sou professora - tenho uma correcção a fazer: gostaste e não gostas-te.

H. Vicente Cândido disse...

Pois... e eu tenho o infeliz hábito de escrever no calor do momento sem me preocupar muito com a posterior leitura em busca de possíveis erros ortográficos.
Mais uma razão para agradecer todos os comentários e todas as sugestões que contribuírem para melhorar o Blog.

Obrigado pela sua contribuição e por ter dedicado algum tempo à leitura das minhas ‘Palavras’.

Anónimo disse...

Amigo,

É com enorme satisfação que encontro este blog, onde serei um visitante assíduo para poder deliciar-me com as palavras intensamente escritas.

Este poema sabe-me a maresia de um mar que levou algo nas ondas da vida e que, no entanto deixou algo a que chamamos esperança, uma das essências principais para acreditarmos na nossa vida. Demore (a nossa vida) o tempo que demorar, há coisas que sem explicação nascem connosco, ter esperança é comum em todos, mas só alguns têm o dom natural da escrita, parabéns por isso.

Um grande abraço!

anônimo disse...

Anônimo.

Seu poema é lindo e mostra uma realidade crua da situação decadente na qual as pessoas entram e sentem dificuldade de se desvincularem. É a tal da carência afetiva, esquecendo-se que existe outras portas a serem batidas. Não é tão simples, mas é fato. O poema em sí é lindo, mas transportando-se para a situação do personagem, ´ninguem merece isso.
Abraços.